Acesso prioritário disponível Os Vitrais da Sainte-Chapelle Explicados
Quinze janelas, 1 113 cenas, dois terços originais — o que observar e onde se colocar
A capela superior da Sainte-Chapelle alberga quinze vitrais góticos dispostos numa planta retangular compacta em torno de uma abside poligonal. Em conjunto, contam, em 1 113 cenas individuais, uma narrativa bíblica e régia que começa com o Génesis a noroeste e termina com o Apocalipse na rosácea poente. Cerca de dois terços do vidro são originais do século XIII, restaurados mais a fundo no século XIX e novamente entre 2008 e 2014. Este guia percorre as janelas pela ordem que a maioria dos visitantes as aborda e identifica as cenas que merecem uma pausa.
A direção de leitura e a janela do doador
Os vitrais foram concebidos para serem lidos numa ordem específica, mas poucos visitantes se apercebem de que a capela indica por onde começar. O ponto de partida pretendido é o canto noroeste — a primeira janela após a entrada, à sua esquerda quando sai da escada em caracol. A partir daí, a narrativa segue no sentido horário à volta da capela, terminando na rosácea sobre o seu ombro, de volta à entrada poente. A ordem é importante porque a narrativa avança cronologicamente pelo Antigo Testamento ao longo da parede norte e para a abside, continuando depois pelo Novo Testamento ao longo da parede sul e de regresso à entrada.
A janela do doador — a que representa o próprio Luís IX a receber a Coroa de Espinhos — situa-se aproximadamente a meio da parede sul (janela número 13 na numeração padrão). Luís é mostrado com as suas vestes reais a aceitar a Coroa do Imperador Latino Balduíno II de Constantinopla, que tinha penhorado a relíquia e não a conseguia resgatar; Luís pagou a dívida em 1238 e mandou construir a capela para a albergar. Este painel narrativo é invulgar entre os retratos de doadores góticos porque o rei não é mostrado em adoração, mas sim numa transação — uma cena documental em vez de devocional — e é a chave histórica de toda a capela.
A parede do Antigo Testamento — do Génesis aos Reis
A parede norte e o lado norte da abside apresentam o ciclo do Antigo Testamento numa ordem aproximadamente cronológica. O primeiro vitral cobre o Génesis, começando com a Criação no canto inferior esquerdo e terminando com o Dilúvio no topo. O pormenor que recompensa alguns minutos de atenção é a representação da Arca de Noé — reconhecível como uma coca do século XIII, e não uma arca bíblica, com tripulação, gado e a família de Noé visíveis em pequenos medalhões. O segundo vitral cobre o Êxodo e o terceiro, o Livro dos Números; a Sarça Ardente na base do vitral do Êxodo é um dos painéis mais saturados de cor da capela, iluminado a partir do sul com toda a intensidade do meio da manhã.
Continuando em torno da abside, os vitrais cobrem Josué e Juízes, depois Rute e Tobias, e depois Isaías e a Árvore de Jessé. O vitral da Árvore de Jessé é um dos mais fotografados devido à sua composição simétrica — um tronco central que se ergue da figura reclinada de Jessé na base, ramificando-se através da genealogia de Cristo. O vitral está virado a norte e depende da luz refletida da parede sul oposta; visite antes das 11:30 para o apreciar no seu melhor. O vitral central da abside — a Paixão — situa-se no extremo nascente e representa a Crucificação nos seus painéis centrais com os vermelhos mais profundos da capela.
A parede do Novo Testamento — de Judite à Paixão
A parede sul apresenta Judite e Job, depois Ester, depois o Livro dos Reis, e depois o vitral das relíquias — narrando a viagem da Coroa de Espinhos de Jerusalém para Constantinopla e finalmente para Paris. Esta narrativa das relíquias é o mais próximo que a capela chega de um auto-retrato: representa Luís IX em três painéis separados a receber, transportar e instalar a relíquia. O vitral inclui também uma cena da própria capela em construção, com pedreiros e carpinteiros visíveis — um momento reflexivo invulgar no vitral medieval.
O extremo nascente da parede sul alberga o vitral de São João Batista e o vitral de Daniel, por esta ordem, recuando a partir da abside. Estes dois são os vitrais mais ricamente restaurados da capela porque sofreram os maiores danos no incêndio de 1630 que destruiu cerca de vinte por cento do vidro; a restauração do século XIX reproduziu fielmente os cartões originais que sobreviveram. Um olhar atento consegue por vezes detetar a tonalidade ligeiramente mais fria dos painéis restaurados em contraste com o vidro original mais quente do século XIII — o fundente medieval conferia um azul particular que nunca foi replicado com precisão.
A rosácea poente — o Apocalipse
A rosácea poente é o mais jovem dos grandes vitrais, reconstruída no final do século XV por Carlos VIII após o vitral poente original ter sofrido danos estruturais. Representa o Livro do Apocalipse em 86 pétalas individuais que irradiam de uma cena central de Cristo em glória. A ordem de leitura é do centro para o exterior, com os Quatro Cavaleiros, a Prostituta da Babilónia, a Nova Jerusalém e o Juízo Final distribuídos por anéis de pétalas. O vitral tem aproximadamente nove metros de diâmetro — suficientemente grande para dominar toda a parede poente — e a sua construção em estilo gótico flamejante contrasta visivelmente com o gótico radiante anterior das paredes laterais.
Iluminar a rosácea é um problema que a capela só resolve à tarde. A capela está orientada genericamente a nascente, o que significa que a rosácea está na parede traseira e não recebe luz direta de manhã. A partir das 15:30 no verão (14:30 no inverno), o sol poente direto incide sobre a rosácea e as pétalas ganham vida. O momento mais fotografado na capela é quando isto acontece no final da tarde e a rosácea projeta simultaneamente padrões coloridos no chão de calcário no extremo nascente. Os visitantes que só vão de manhã perdem isto por completo e saem muitas vezes a pensar que a rosácea é o vitral mais fraco da capela — o que não é, de forma alguma, na hora certa.
Vidro original vs. restauração do século XIX
O valor padrão é que cerca de dois terços do vidro são obra original do século XIII e um terço é restauração posterior, principalmente do século XIX. O incêndio de 1630 destruiu parte da secção poente; a Revolução Francesa fechou e saqueou parcialmente a capela entre 1791 e 1837, mas não partiu o vidro; a restauração de 1837 sob Félix Duban e a restauração mais aprofundada de 1855 sob Jean-Baptiste-Antoine Lassus devolveram em conjunto a capela a um estado funcional. A campanha mais recente, entre 2008 e 2014, removeu séculos de sujidade, substituiu a estrutura de ferro de suporte e acrescentou um vidro de proteção externo que é quase invisível do interior.
Distinguir o original do restaurado requer prática. O vidro original do século XIII tem uma irregularidade particular na sua superfície — o método medieval de soprar um cilindro e achatá-lo produzia rugosidades subtis e espessura irregular que captam a luz de forma diferente do vidro posterior mais uniforme. A paleta de cores é também ligeiramente diferente: o azul cobalto medieval e o vermelho rubi-cobre são mais ricos e menos translúcidos do que os seus equivalentes do século XIX. O caso de estudo mais claro é o vitral da Paixão na abside, onde os painéis centrais da crucificação são maioritariamente originais e os painéis da bordadura circundante são maioritariamente restaurados; confrontados um com o outro, a diferença torna-se visível.
Perguntas frequentes
Quantos vitrais existem na Sainte-Chapelle?
Quinze janelas góticas na capela superior — sete na parede norte, sete na parede sul (contando a abside) e a rosácea poente. No total, contêm 1.113 cenas individuais.
Quanto do vidro é original?
Cerca de dois terços do vidro são originais do século XIII. O restante é, principalmente, restauro do século XIX, na sequência de danos causados pelo incêndio de 1630 e pela Revolução Francesa.
O que representam as janelas?
Uma narrativa bíblica contínua desde o Génesis (noroeste) no sentido dos ponteiros do relógio através do Antigo Testamento, a janela da Paixão na abside, o Novo Testamento e as janelas das relíquias na parede sul, e finalmente a rosácea poente que representa o Apocalipse.
Quando foi construída a Sainte-Chapelle?
A construção decorreu aproximadamente entre 1241 e 1248, sob Luís IX (São Luís), para albergar a Coroa de Espinhos e outras relíquias da Paixão que adquirira ao Imperador Latino de Constantinopla.
Qual é a janela mais famosa?
As opiniões dividem-se entre a janela da Paixão (abside central) pelos seus dramáticos painéis da crucificação e a rosácea poente pela sua iconografia apocalíptica. A janela do doador, que mostra Luís IX a receber a Coroa de Espinhos, é a mais significativa historicamente.
Qual é a janela com cores mais saturadas?
A janela do Êxodo na parede sul — especialmente o painel da Sarça Ardente na parte inferior — exibe os vermelhos e azuis mais profundos quando atingida pelo sol do meio da manhã vindo de sul.
Qual é o tamanho da rosácea?
Cerca de nove metros de diâmetro. Representa o Livro do Apocalipse em 86 pétalas individuais, com os Quatro Cavaleiros, a Prostituta da Babilónia e o Juízo Final entre as cenas.
Posso ver os vitrais do exterior?
Do exterior, o vidro parece escuro e a estrutura da capela, com os seus finos mainéis, torna-se o elemento dominante. Os vitrais foram concebidos para serem apreciados no interior, onde a luz os atravessa e ilumina o espaço da capela.
Quando reabriu a Sainte-Chapelle após a restauração?
A campanha de conservação de 2008–2014 devolveu à capela a sua visibilidade total, incluindo a adição de um vidro de proteção externo quase invisível do interior da capela.
Como posso distinguir o vidro original das restaurações posteriores?
O vidro original do século XIII apresenta irregularidades na superfície, resultantes do método medieval de sopro e achatamento, e um azul cobalto e vermelho-cobre mais ricos e menos translúcidos. Os painéis restaurados são mais uniformes na espessura e ligeiramente mais frios no tom.